Wednesday, August 09, 2006

O que há na Madalena é recuperação paisagística

in DN a 09-08-2006

Na sequência da reportagem ontem publicada no DIÁRIO sobre a unidade industrial mandada encerrar pelo Tribunal Administrativo na Madalena do Mar e que continua a laborar, recebemos da Secretaria Regional do Equipamento Social e Transportes um comunicado assinado pelo chefe de gabinete com o seguinte teor: «A propósito de uma reportagem inserta na edição de hoje (ontem) do Diário de Notícias, sobre extracção de inertes na Ribeira da Madalena do Mar e porque a mesma não traduz a verdade dos factos, cumpre-nos esclarecer o seguinte: 1. Actualmente não ocorre actividade extractiva no leito da Ribeira da Madalena do Mar, pelo que não existe qualquer desrespeito relativamente a decisões judiciais.

2. Como aliás pode ser comprovado pelo vídeo a que alude a referida reportagem (a ver em http://www.dnoticias.pt) procede-se actualmente apenas à retirada do material anteriormente extraído, de forma a permitir a recuperação paisagística e ambiental do local».


Emanuel Silva

Tuesday, August 08, 2006

Câmaras preferem empresas da "casa" na contratação de obras públicas

Câmaras preferem empresas da "casa" na contratação de obras públicas

Três dezenas de sociedades, cada uma no seu concelho, têm primazia nos concursos limitados de obras

in DN a 08-08-2006

Quando uma câmara municipal da Madeira pretende atribuir uma obra pública, uma das condições principais (senão mesmo a principal) que tem em conta é a origem das empresas ou dos empresários que a ela se candidatam. Se for natural do concelho, ganha logo vantagem à partida. Pelo menos é isso que se pode concluir a partir da lista de empreitadas entregues em 2004 e 2005. Há cerca de três dezenas de empresas que apenas fazem obras dentro dos seus concelhos.

Apesar da exiguidade do território regional e da melhoria da rede de estradas, parece haver uma fronteira física entre cada concelho que impede uma empresa de fora de entrar nos negócios do município. O fenómeno é constatável em todo o arquipélago. Dois dos exemplos mais expressivos vêm de Câmara de Lobos. As empresas "José Avelino Pinto & Filhos Lda." e "Perneta Construções SA", dirigidas por empresários do Estreito, conseguiram, respectivamente, 5,6 milhões e 2,6 milhões de euros respeitantes a um total de 33 obras no concelho. Na Ribeira Brava, as obras feitas em concurso limitado foram quase todas para a "Nascimento & Nascimento, Lda." (9) e a "Construções do Campanário, Lda." (3). Na Ponta do Sol, a mesma situação com outros protagonistas: "Solicanhas" (9 obras) e "Irmãos Leça de Freitas, Lda." (6). Na Calheta, os ajustes directos e concursos limitados beneficiam as empresas "Paulo Gouveia & Irmãos" (4 obras), "Arlindo Serrão & Coelho - Construções Lda." (6) e "Somuros" (3).

SANTA CRUZ NÃO REVELA DADOS

Já na costa Norte, no Porto Moniz, "manda" a empresa "Construções Costa & Damião" (13 obras), embora neste concelho se constate uma maior distribuição de trabalhos por várias sociedades. Das onze empreitadas promovidas pela Câmara de S. Vicente, quatro foram atribuídas à "Sociedade de Empreiteiros do Norte da Madeira". Em Santana, destaque para a "Júlio Inácio Fernandes, Filhos Lda." (5 obras) e a "J. C. F. - Construções de Santana" (6). Em Machico, a "Construções Miguel Viveiros II" (6 obras) tem primazia. Os dados de Santa Cruz não estão disponíveis, visto que a Câmara liderada por Savino Correia (até 2005) e por José Alberto Gonçalves (actual presidente) é a única da Madeira que não cumpre a obrigação legal de publicação das suas empreitadas. No Porto Santo, ganham relevo os trabalhos da "Farrobo Sociedade de Construções" e da "Teodoro Gomes Alho & Filhos".

Também há empresas que se dedicam praticamente em exclusivo à Câmara do Funchal, onde ganham os contratos de ajuste directo ou concurso limitado. São os casos de: "Sales, Faria & Andrade" (18 obras), "RIM - Construções Madeirenses" (7) e "Damásio & Nascimento" (6 obras). De registar ainda o elevado volume de obras da responsabilidade da "Edimade" (18, no valor de 4,2 milhões de euros). Curiosamente, esta empresa também desenvolve obras em Santa Cruz e no Porto Santo, mas promovidas pelo Governo.

UMA EXCEPÇÃO CHAMADA "SILVA BRANDÃO"

Deste rol das relações privilegiadas com determinados concelhos foram excluídos os gigantes da construção. Empresas como "Avelino Farinha & Agrela", "Tâmega", "Somague" ou "Tecnovia" ganham as maiores empreitadas promovidas nas edilidades mas têm uma actuação de âmbito regional e não concelhio. Por outro lado, entre as pequenas e médias empresas que concorrem às obras municipais, o DIÁRIO apenas encontrou um caso de acção regional: a "Silva Brandão & Filhos" participou em oito obras distribuídas por sete concelhos. É a excepção que confirma a regra.

Por fim, assinale-se que o facto de as câmaras privilegiarem as empresas locais nos seus processos de contratação pode ser encarado numa perspectiva positiva, como uma forma de estimular a economia concelhia. Mas fica a dúvida se são salvaguardados outros princípios que devem nortear a actuação da administração pública, tais como a necessidade de encontrar o preço mais vantajoso para uma obra e a empresa melhor qualificada para a realizar...


Miguel Fernandes Luís

Extracção de inertes na Madalena à revelia de decisão do Tribunal

Extracção de inertes na Madalena à revelia de decisão do Tribunal

Em Abril, agentes da PSP, a mando do Tribunal, encerraram a "pedreira". Três meses depois, as autoridades ignoraram a decisão

in DN a 08-08-2006



A extracção de inertes do leito da ribeira da Madalena do Mar, no concelho da Ponta do Sol, continua a verificar-se, mesmo depois de, a 7 de Maio do corrente ano, o Tribunal Administrativo de Círculo do Funchal (TACF) ter mandado parar os trabalhos que decorriam no local.

Durante algum tempo, sensivelmente dois meses, a ordem judicial foi cumprida: não houve extracção naquela zona. No entanto, ao longo do dia de ontem, numa ida ao local, o DIÁRIO assistiu à entrada de pelo menos três camiões de propriedade da empresa Avelino Farinha e Agrela (AFA) no local (como reportam as imagens). Os camiões tinham de aguardar alguns minutos para serem carregados, e, só depois, abandonavam o recinto transportando os inertes.

De acordo com informações recolhidas pelo DIÁRIO, o material extraído da ribeira da Madalena foi deitado num vazadouro, de propriedade da empresa AFA, situado a escassos metros acima do Parque Industrial dos Canhas.

Em Abril último, os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), a mando do TACF, encerraram esta "pedreira", juntamente com outras cinco que laboravam desde 2004, numa altura em que o Governo Regional, em ano de eleições, autorizou a emissão de licenças para a extracção de inertes.

De acordo com o que foi possível apurar, alguns responsáveis pela exploração de algumas pedreiras encerradas recorreram da decisão judicial. O mesmo não terá acontecido com a empresa AFA, até à altura responsável pela extracção de inertes na ribeira da Madalena do Mar, que não deve ter recorrido da sentença.

Apesar de o TACF ter mandado encerrar as pedreiras, muitas delas continuaram a laborar. A denúncia feita na altura pelo DIÁRIO originou um reforço da ordem judicial, com o tribunal a intimar os principais responsáveis regionais da PSP, bem como os presidentes de algumas autarquias, entre as quais a da Ponto do Sol, e da Direcção Regional do Comércio, Indústria e Energia a cumprirem ordem do Tribunal, sob pena de serem multados diariamente (50 euros por dia de incumprimento).

Os sinais de extracção de inertes na encosta da ribeira são evidentes. A população das redondezas teme que, perante fortes chuvadas, a escarpa ceda e provoque uma tragédia.


Filipe Gonçalves

Wednesday, August 02, 2006

25.º Aniversário do Grupo Folclórico da Ponta do Sol

Grupo de Folclore da Ponta do Sol apresenta hoje, pelas 20h30, no Centro Cultural John dos Passos

25 anos em exposição fotográfica

Desde Janeiro deste ano que o Grupo de Folclore da Ponta do Sol está a assinalar as suas “bodas de prata”. No âmbito destas comemorações, o grupo vai actuar hoje, pelas 20 horas, no adro da Igreja da Conceição, na Lombada e apresentar, na Casa da Cultura John dos Passos uma exposição fotográfica sobre os 25 anos do grupo.


in JM a 02-08-2006


De entre diversas actividades realizadas, este grupo organizou a Exposição Nacional de Trajes ao Vivo, evento que contou com a colaboração da Federação do Floclore Português, integrada nas comemorações dos 500 anos da Ponta do Sol.


No âmbito das comemorações do seu 25º aniversário, o Grupo de Folclore da Ponta do Sol apresenta hoje à tarde várias actividades para assinalar a efeméride. As celebrações vão começar às 19 horas, com a realização de uma missa que será precedida de uma actuação do grupo na Igreja da Conceição, na Lombada.

Já no Centro Cultural John dos Passos, será inaugurada, pelas 20h30, uma exposição de fotografia intitulada "25 anos de grupo", iniciativa que contará também com o lançamento da reedição do CD "Cantares da Terra do Sol".

De salientar que este grupo começou as comemorações do seu 25º aniversário no dia 6 de Janeiro com o espectáculo "Cantares de Reis da Ponta do Sol", altura que foi também lançado um DVD sobre exposições etnográficas ao vivo e apresentado um espectáculo de variedades com artistas do grupo e um encontro nacional de Concertinas.

Após as celebrações do dia de hoje, o grupo vai fazer as malas e partir para uma pequena digressão ao continente português que terá a duração de sete dias. Iniciando-se a 8 e terminando a 15 deste mês, o Grupo de Folclore da Ponta do Sol vai participar em diversos festivais nacionais e internacionais.

Ainda para este mês, mais precisamente, para o dia 31, está previsto um espectáculo com os grupos convidados para o XVI Festival Nacional e Internacional que este ano vai realizar-se no dia 3 de Setembro.

No que concerne ao lançamento de DVD's e de acordo com António Vale, presidente do grupo, em Outubro e Novembro deste ano, serão apresentados mais dois DVD's, o primeiro em francês, Inglês e Alemão sobre os "Costumes e tradições da nossa Terra" e um segundo intitulado "16 anos de Festivais de Folclore". A direcção do grupo tem ainda prevista a edição de um segundo CD do grupo e a realização de um espectáculo teatral sobre as "Vivências do passado".


Lucia Mendonça da Silva

Tuesday, August 01, 2006

Coro da Universidade do Minho na Ponta do Sol

Coro da Universidade do Minho na Ponta do Sol

in Dn a 01-08-2006

Actuação da próxima terça-feira está incluída no programa de actuações da digressão que estão a realizar


O Coro Académico da Universidade do Minho actua na próxima terça-feira pelas 21 horas no Centro Cultural John dos Passos, numa organização da Câmara da Ponta do Sol.

Esta actuação é realizada no âmbito de uma digressão à Madeira, que também abrange a Feira Gastronómica de Machico, no dia 4, e São Vicente no próximo dia 6 de Agosto.

O Coro Académico da Universidade do Minho (CAUM) Iniciou as suas actividades em Janeiro de 1989 e, desde então, tem desenvolvido um trabalho de prática e divulgação da música de todas as épocas, em especial da música portuguesa.

Criado com o fim de divulgar a música coral e instrumental e de proporcionar um espaço de convívio musical, no qual promove o gosto de cantar e desenvolve a sensibilidade artística dos seus associados.

O CAUM realizou até à data mais de três centenas de concertos por todo país e pelo estrangeiro, pelos quais passaram mais de quinhentos coristas.

Actualmente é composto por mais de oitenta elementos.

Privilegiando naturalmente o repertório "a Capella", da Renascença ao séc. XX, tem actuado regularmente com acompanhamento de quinteto de metais e piano. Diversos pianistas têm integrado o CAUM, nomeadamente Ana Maria Liberal, Francisco Fiúza e Ana Paula Leite.

Desde a sua fundação, até Agosto de 2004 foi dirigido por Fernando Lapa, que deixou no coro a distinção das suas qualidades musicais e humanas.

Actualmente a regência do CAUM cabe a Magna Ferreira, e o seu director artístico é Rui Paulo Teixeira.


Roberto Varela, Correspondente

Julgamento (cont.)

José Avelino explica número de obras da AFA

O empresário José Avelino justificou com a logística o facto da AFA vencer muitos concursos públicos

in DN a 01-08-2006


Um dos sócios principais da empresa "Avelino Farinha & Agrela" (AFA) explicou ontem, durante o julgamento do alegado caso de corrupção na Câmara Municipal da Ponta do Sol (CMPS), as razões porque vence a maioria dos concursos para obras públicas na Ponta do Sol e na Calheta.

«Nós temos as infra-estruturas montadas nestes concelhos, tal como acontece com a "Tecnovia" em Santa Cruz», justificou José Avelino, o segundo sócio da AFA a ser ouvido no âmbito deste processo. O empresário, que considerou o ex-presidente da CMPS, António Lobo, com um «exemplo de autarca», garantiu que nunca ouviu dizer que o arguido era corrupto e mostrou-se incrédulo perante as acusações que constam do processo. «Cada um vê o Lobo com os olhos que tem e com a cabeça que tem», disse, durante uma sessão em que foram ouvidas sete testemunhas, três arroladas por Lobo e quatro pelo fiscal João Silva.

Todas garantiram a honestidade dos dois arguidos, mas uma, Hugo Gonçalves, ex-jogador de hóquei do Portosantense, admitiu ter servido de intermediário entre os dois, quando ambos estavam detidos nos Viveiros, e proibidos de manter contacto. «Ele (António Lobo) pediu-me para entregar mensagens ao João», disse a testemunha, que esteve detida no mesmo estabelecimento prisional por um processo relacionado com tráfico de estupefacientes. As mensagens, segundo Hugo Gonçalves, que testemunhou por videoconferência, diziam para o fiscal não colaborar com a Polícia Judiciária e manter a «boca fechada», porque Lobo iria resolver o assunto.

Um assunto que continuará a ser "resolvido" no próximo dia 28 de Agosto, às 10:00 horas, data da próxima sessão do julgamento, marcada para o Tribunal da Ponta do Sol.

Saúde, férias e prepotência

A defesa do fiscal João Silva requereu ontem ao tribunal que juntasse ao processo um relatório médico sobre a saúde do arguido e uma certidão de um processo que um chefe da PSP interpôs contra António Lobo, por injúrias. O objectivo, segundo o requerimento apresentado pela advogada Luísa Nunes, é mostrar que o fiscal da autarquia ponta-solense «padeceu e tem padecido» com o desenrolar deste processo, assim como demonstrar a personalidade «prepotente e dominadora» do ex-autarca.

O colectivo de juízes acedeu ao pedido, da mesma forma que respondeu afirmativamente ao requerimento que Lobo havia feito, pedindo autorização para gozar férias no Porto Santo. Já Marco António, também arguido no processo, viu indeferida a intenção de passar férias no Porto. As medidas de coacção, justificou o juiz Filipe Câmara, impedem os arguidos de se ausentar do território da Região.

Baeta assume culpa pela aprovação do PDM

O presidente da Câmara Municipal da Calheta (CMC), Manuel Baeta, assumiu ontem responsabilidades pela aprovação do Plano Director Municipal (PDM) do concelho que, disse, não caracteriza aquele município.

«Eu, os meus colegas de vereação e a Assembleia Municipal temos alguma culpa na aprovação do PDM», assumiu o autarca, que ontem testemunhou no Tribunal da Ponta do Sol. As incongruências do PDM da Calheta e a aprovação do documento por parte dos responsáveis autárquicos locais, motivaram a ironia do presidente do colectivo de juízes, Filipe Câmara. «Então foi assim.

O Governo foi ao concelho, tirou apontamentos, enviou o PDM para a Calheta e vocês aprovaram», disse o juiz durante a inquirição, com Baeta a responder afirmativamente. «Foi quase assim...», afirmou, depois de referir que a autarquia já solicitou ao Governo Regional a suspensão do PDM da Calheta.

Baeta, que foi arrolado como testemunha pela defesa do ex-presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol, António Lobo, explicou ainda os procedimentos da autarquia que comanda, relativamente aos processos de licenciamento de obras, muito semelhantes com os da Ponta do Sol. Diferenças, só no distanciamento entre o presidente e os fiscais de obras e no tempo que o autarca demora para dar despacho aos processos. «No máximo um mês», garantiu, em contraponto com Lobo, que tinha no gabinete alguns processos que aguardavam despacho há vários meses.


Márcio Berenguer

Julgamento (cont.)

Tribunal autorizou ex-presidente da Câmara a ir de férias mas o arquitecto fica em casa

Caso António Lobo continua a 28 de Agosto

O colectivo de juízes que acompanha o processo de António Lobo no Tribunal da Ponta do Sol vai ser “obrigado” a interromper as férias judiciais para dar seguimento a este caso, no próximo dia 28 de Agosto. Este processo recorde-se, remonta a 2004, altura em que António Lobo, na altura, presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol foi detido por alegadamente se ter servido do fiscal da autarquia, João Manuel Silva e da arquitecta Deolinda, constituídos arguidos, para aprovar projectos, recebendo em contrapartida, mais dinheiro.

in JM a 01-08-2006

Na sessão de ontem, a advogada de João Manuel Silva, Luísa Nunes entregou ao Tribunal um relatório da psicóloga clínica Cristina Gouveia que está a acompanhar o arguido e a família onde dá conta do seu trabalho de “reparação de danos internos e psicológicos que esta situação dolorosa tem provocado na vida” das mesmas.

O caso António Lobo voltou, ontem, à barra do Tribunal da Ponta do Sol. Nesta sessão que decorreu durante toda a manhã e se prolongou até à tarde, ficou decidida a sua prossecução no dia 28 de Agosto, pelas 10 horas. Neste dia, o colectivo de juízes vai analisar os relatórios periciais solicitados aos engenheiros. O Tribunal aguarda que os mesmos estejam prontos até à data pois o agendamento da sessão depende disso.
A intenção do Tribunal é, depois, em Setembro agendar mais duas a três sessões de julgamento a decorrer na mesma semana para, depois, proceder às alegações finais.
Entretanto, e no decorrer da sessão de ontem, o colectivo de juízes resolveu autorizar o arguido António Lobo a se deslocar ao Porto Santo de férias entre os dias 9 a 23 de Agosto.

António Lobo fica sujeito às medidas de coacção de termo de identidade e residência, ficando obrigado a apresentar-se às autoridades policiais locais.

Por sua vez, o Tribunal indeferiu o pedido do arguido Marco António, arquitecto de profissão que havia solicitado a sua deslocação ao Porto, entre os dias 3 e 13 de Agosto para gozo de férias.

Segundo explicou o presidente do colectivo de juízes, tal se fica a dever ao facto do arguido, a exemplo do anteriormente referido, estar sujeito à medida de coacção que impede que se ausente da Região Autónoma da Madeira.

A propósito recordou que as autorizações dadas aos arguidos João Silva e Rafael Inácio, para se deslocarem para fora da Região deveram-se a necessidades de saúde.
Esta última sessão de Julho ficou, ainda, marcada pela audição de oito testemunhas, cinco na parte da manhã e três na parte da tarde, uma das quais, por vídeo-conferência. Ausente, esteve Filipe Malheiro, que tinha sido convocado para ser ouvido.

Testemunhas confirmam
pressão e obras ilegais


Na parte da manhã estiveram presentes um dos sócios da empresa de construção Avelino Farinha e Agrela, José Avelino Agrela, o presidente da Câmara Municipal da Calheta, Manuel Baeta e o presidente da Junta de Freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, Adelino Gonçalves.

Foram ouvidos, também, o empreiteiro de construção civil, Nélio Mendes e um encarregado de construção civil da SOMAC, Carlos Pita que, na altura dos acontecimentos trabalhava como encarregado de um sub-empreiteiro da empresa Pita Silva.

Nélio Mendes acabou por admitir que uma obra de José Manuel Brintes, na Lombada pela qual estava responsável arrancou ilegalmente, naquela. A obra está, agora, parada por falta de verbas. O mesmo aconteceu com um bloco de apartamentos que, mesmo depois do fiscal ter detectado uma anomalia no projecto, a obra continuou.

Na parte da tarde foram ouvidos João Manuel dos Ramos, técnico oficial de contas e funcionário público que, há cerca de 14/16 anos foi membro da Assembleia Municipal da Câmara da Ponta do Sol e João António Gouveia, enfermeiro de profissão, amigo de infância de João Manuel Silva.

Por vídeo-conferência foi ouvido Hugo Alexandre Gonçalves, que por ocasião do sucedido jogava hóquei no Porto Santo. Esteve detido na cadeia dos Viveiros, na mesma altura que António Lobo e João Manuel Silva tendo admitido ter passado recados de Lobo para Silva para que este “não abrisse a boca à PJ, que ele tratava de tudo”.
Não houve recados do lado contrário mas ambos os visados chegaram a conversar nos corredores, adiantou. Do conteúdo, nada se conseguiu apurar.


Advogado de Mari Alkatiri diz que é preciso encontrar responsabilidades numa série de marginais em Timor

Arnaldo Matos, advogado de defesa de António Lobo tem, também, entre mãos o caso do ex-primeiro-ministro de Timor-Leste. À saída do Tribunal da Ponta do Sol, o responsável começou por dizer que “o dr. Mari Alkatiri, primeiro-ministro demissionário do Governo de Timor-Leste acompanhou, escolhendo quatro dos seus representantes às declarações a prestar na Procuradoria Geral da República em Díli”. Arnaldo Matos explicou que o visado respondeu a todas as questões colocadas como quis e recusou qualquer responsabilidade nos factos que pretenderam imputar-lhe, como a distribuição de armas à população porque logo que soube da situação, deu instruções ao ministro do Interior e da Defesa para desarmar as pessoas, o que não foi possível imediatamente em termos globais. Adiantou que, agora, há que procurar responsabilidades numa série de outros mais ou menos marginais como Alfredo Reinado e de Vicente Reilos para explicar os acontecimentos.


Élia Freitas