
"Barbaridades" das Finanças Locais marcaram discursos na Ponta do Sol
Em dia do concelho, os dois hinos foram ouvidos no hastear da bandeira, traçaram-se metas e o Governo de Sócrates foi apelidado de "ditatorial"
in DN a 09-09-2007
Críticas ao Governo da República e a uma penalizadora nova Lei das Finanças Regionais e Locais, uma mão-cheia de novos projectos para o concelho, bem como um balanço dos quase dois anos de governação do município, constituíram o mote da sessão solene das comemorações do dia do concelho da Ponta do Sol, a par dos Hinos Nacional e da Região, que se fizeram ouvir no hastear da bandeira.
Na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol, Rui Marques, apontou o dedo ao "ataque vergonhoso" de que tem sido alvo a Região, afirmando que a nova Lei de Finanças Locais "vem penalizar, e a duplicar", os municípios.
Rui Marques disse que a atribuição de mais competências às autarquias, não acompanhadas das respectivas verbas necessárias, a "usurpação de poderes, interferências na gestão camarária, endividamento zero e a contenção de despesas com o pessoal" constituem "barbaridades, só possíveis num regime ditatorial". Numa espécie de balanço do mandato, o autarca reforçou o progresso do concelho no que concerne a infra-estruturas e acessibilidades, e enumerou uma série de obras já realizadas e agendadas, pedindo especial atenção ao Governo Regional para o facto de ser "importante e urgente" uma rápida intervenção na Estrada Regional 222 - que liga a vila à freguesia dos Canhas -, dado que o pavimento se encontra bastante degradado.
O presidente ponta-solense reforçou duas importantes obras que já estão adjudicadas pelo Governo Regional, nomeadamente a expansão da vila para norte e a já existência de um estudo com um possível traçado para a via expresso até aos Canhas.
Por sua vez, o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, em representação de Alberto João Jardim, apontou o trabalho realizado no concelho natal, apesar "das dificuldades impostas à Região pelo persecutório e antidemocrático poder socialista da República".
"Os municípios, tal como a Região Autónoma, e com enormes consequências negativas para os cidadãos, para as empresas e instituições em geral, padecem de um errado sistema político-constitucional em vigor no país", atirou, acrescentando que "a postura do todo nacional perante o progresso da Madeira é ingrata e injusta".
Manuel António Correia disse ainda que constitui um objectivo fulcral ter "mais e melhor autonomia política", através da consagração do "princípio da unidade diferenciada", a concretizar na próxima revisão constitucional de 2009.
"Perante a União Europeia, é necessário continuar a reivindicar e obter apoios à gestão desses equipamentos e serviços, em particular por via dos sobrecustos na Região", frisou, atirando que, perante o Estado, vão continuar a exigir que este assuma responsabilidades.
O secretário regional focou também o que tem sido feito na gestão de resíduos sólidos urbanos e do projecto em fase final de execução, com um custo global de 160 milhões de euros. Em relação à água potável, Manuel António Correia frisou que o serviço público tem uma cobertura total na actualidade e que na recolha e tratamento de águas residuais a situação é idêntica.
Concelho quer "revitalizar investimento privado"
Perante o cenário "de alguma complexidade, em termos financeiros, resultante da nova lei das Finanças Regionais", a Câmara Municipal da Ponta do Sol está apostada em revitalizar o investimento privado, de modo a colmatar a diminuição do investimento público.
Segundo o presidente da Câmara, Rui Marques, a autarquia, indo ao encontro dos anseios de empresários e munícipes do concelho, iniciou este ano a revisão do Plano Director Municipal (PDM), prevendo a conclusão destes trabalhos no próximo Verão.
"Apesar de termos consciência de que o actual PDM é um pouco restritivo, optámos por seguir um processo normal de revisão, seguindo opiniões de técnicos e especialistas na matéria", apontou o autarca.
Embora sabendo que se trata de um processo moroso e burocrático, Rui Marques apontou que o investimento é importante, mas que está fora de questão pôr em risco o que o concelho tem de melhor: "A beleza natural e o rico património".
Zélia Castro
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